E ele entrou. Camisa branca de algodão, cabeça raspada e uma caixa de madeira com um pouco de tinta amarela sob o ombro direito. Arrastando os pés no chão, com um chinelo de cor inidentificável, foi em uma mesa vazia, e pegou um pedaço de carne, a mesma carne que também tinha no meu prato. Despejou o restante do refrigerante escuro dentro de um copo e perguntou ao garçom algo que não consegui compreender. Obtendo a resposta, saiu.
Observei o fato de todos que ali se encontravam entreolharem e quererem saber o que aconteceu. Nem eu ao certo sabia. E voltamos ao que fazia.
Passado um tempo, ele voltou, foi ao balcão, disse algo que não entendi, foi em uma mesa, e disse:
“Moço, me dá um pouco de refrigerante?”. O cara olhou pra ele, para o refrigerante escuro, pra mulher na sua frente e disse: “Se eu te der, você vai embora!”. E o cara encheu o seu copo.
No período que decorreu essa cena fiquei em observar o rapaz de camisa branca e cabeça raspada, só que não era um rapaz, olhei seu tórax e por de trás do tecido branco de algodão havia um volume de um par de medianos seios. Ele na verdade, era ela. E ela saiu.
Deixei os talheres sob o prato e pensei em qual motivo levaria ela a se tornar ele, e porque ele estava na rua, e até mesmo como uma caixa de engraxar sapatos não era o suficiente para alimentá-lo. Mas são respostas de uma mesma pergunta que se dá para várias pessoas dessa cidade e do mundo inteiro. Por quê?

Muito bom o texto, Carlos!
ResponderExcluirEsperamos você no evento “Encontro de Blogueiros de Uberaba”. http://www.facebook.com/events/332075150221624/
Dia: 22/09 sábado
Hora: das 13h as 15h
Local: Biblioteca Pública Municipal Bernardo Guimarães Sala Multimeios