Cabeças Brancas


Sexta, 08h45min, uma manhã completamente normal, igual às quatro antecessoras dessa semana. Mas por um motivo que não sei ao certo, olhei além do que via. Várias cabeças brancas a minha frente. Várias cabeças brancas com fios em tom de neve.

De onde eu estava não conseguia ver seus semblantes, mas ainda assim, imaginava ser como gotas de orvalho, serenos, estáveis, e a aclamar o sol que tocava suas faces.

Cabeças brancas, o tempo fez um bom trabalho, suas experiências são impostas como coras de marfim. Mas lá no fundo, o meu eu tem muito medo de encarar essa realidade de que um dia serei eu o coroado pelo tempo, explícito em todo o meu exterior. Marcas na minha epiderme que não poderão ser como antes.

E que assim seja, o tempo chegue, o tempo passe, e que a cada dia minha coroa seja mais transparente.

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